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Lamúria de Amante ( Lover's Lament )

Um lugar infernal, cheiro de sangue vil e demônios por todos os lados, seguidas por chuvas incessantes de infernais que rasgam o céu, nada disso para perturbar uma pequena figura. Uma draenaia, com um longo manto negro e rasgado, com sua cor desbotada e um capuz surrado. Ela caminha lentamente em direção á Fortaleza Martelo Feroz. Seus passos são pesados e ela tenta, de maneira fútil, segurar seu manto fechado perante toda a balbúrdia e os ventos vis do Vale da Lua Negra. Seu olhar parece profundo e melancólico.

A draenaia se aproxima dos portões da fortaleza, se pondo na frente de dois anões, guardas do local. "Quem vem lá!?" -anuncia um anão-. A draenaia levanta o olhar, revelando seus olhos brilhosos e puros. Ela não responde, apenas assente em forma de cumprimento. O anão levanta um olhar imponente e destemido, como quem duvidasse da integridade da draenaia.

Um anão encara o outro, eles pensam por alguns momentos e finalmente cedem acesso á fortaleza. Ao receber a permissão, a draenaia abaixa o olhar novamente, demonstrando tristeza. Ela parece ignorar todos á seu redor, ela anda até um local vazio da fortaleza, uma espécie de cemitério improvisado. A draenaia para diante de uma lápide. Onde se lê : "Filip Vistabela Telford".

A Draenaia suspira e então se ajoelha perante a lápide. "Eu daria tudo pra ter morrido no seu lugar, meu amigo..." -sussurra a draenaia-. Ela para de falar e começa á acariciar a lápide, sentindo um pesar muito grande em seu peito. "Sabe, Filip... te conheci por pouco tempo... Mas já comecei á te admirar muito..." -continua a draenaia-.

Ela levanta a cabeça e fita o céu destrutivo e caótico de Lua Negra, parecendo ver através dele, em seus pensamentos, tendo momentos nostálgicos e memórias doces. "Teu senso de heroísmo, tua determinação... teu fervor... graças á ti, pude conhecer pessoas maravilhosas... E outras nem tanto... Eu sinto falta de ti, meu amigo..." -sussurra novamente a draenaia, enquanto sorri para o céu-. Ela abaixa o olhar melancólico novamente para a lápide, é possível ver lágrimas em seus olhos, que caem e colidem no chão negro desta terra demoníaca.

-"Que... droga..." -chora a draenaia, tentando inutilmente limpar suas lágrimas-. Ela cede, caindo com os dois joelhos no chão e socando o mesmo com as duas mãos, com seu rosto perto da terra. Suas lágrimas castigam e banham o túmulo de Telford. "Por que.... Eu perdi você...? Que tipo de médica eu sou... que perde seus pacientes...? Eu sequer consigo encarar meus amigos!!!!.... AH!!" -a draenaia começa á gritar, os anões passam por perto mas, quando vêem a cena, preferem deixá-la quieta.

-"...Amigos...." -diz a draenaia, abrindo os olhos e fitando a terra negra-. "Amigos... Eu os abandonei... Telford... Eu não consigo encará-los... Eu fiz tanta besteira... Eu matava crianças, Filip, CRIANÇAS!! ...Os fantasmas delas ainda me assombram... trinta e oito malditas almas que me cercam todas as noites..." -conclui a draenaia-. Ela tenta se recompor, ficando de joelhos novamente, inclinando seu corpo para cima, fitando o céu. "...Eu daria minha vida para trazê-las de volta... trazer você... de volta... E todos que morreram em minhas mãos..." -sussurra a draenaia, voltando á olhar para baixo, para a lápide.

-"...O que eu devo fazer... Telford...? Devo voltar para meus amigos...? ...Devo... procurar redenção...?". Após dizer isso, a draenaia começa á encarar fixamente a lápide, como se no fundo de sua mente, ela esperasse uma resposta. Ela assente, se levantando. "...Heh... Acho que sim..." -continua a draenaia, limpando as lágrimas-.

A draenaia se agacha e retira uma flor verde da cintura, a colocando no túmulo. Após isso ela assente e se vira de costas para a lápide, mas antes de ir embora ela conclue: "Ah... mais uma coisa. Sabe o por que de eu deixar minha foice, a Lamúria de Amante contigo?... Porque... Heh.... Essa foice ficou comigo durante milênios, e eu... do fundo do meu coração... acho que você deva ficar com ela para toda a eternidade, Filip... Que ela fique com você onde quer que você vá. Pois eu a prometi á ti no dia em que partimos para Terralém, e eu... cumpro minhas promessas... Meu ... amado.... Amigo... E.. Herói...". Após dizer isso, a draenaia só tem tempo para sorrir por cima dos ombros, enquanto continua seu caminho de volta aos portões da fortaleza.

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