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Ora, ora, vejam só. Mais um viajante em busca de suas aventuras parando para descansar em uma taverna qualquer... O que acha de ouvir uma história?  Pois vou lhe contar uma. Tudo começou no Vale da Lua Negra. Uma elfa caminhava entre demônio, mas essa elfa era diferente. Seus cabelos eram brancos, sua pele quase azulada devido ao tempo que passou morta. Seus olhos vermelhos brilhantes intimidavam até a mais cruel das criaturas.

O que a elfa fazia entre demônios? Ela os liderava. Mas, naquele dia em especial, ela caminhava para longe, rodopiando e a cantando como uma criança, mas em sua cabeça só haviam pensamentos sobre morte, dor e sofrimento...Mas esse tipo de pensamento atraiu uma criatura em especial, um elfo como ela. Morto e perdido por aí.

Ah, conheço bem essa história, querida. Deixe-me complementar. Abra bem os ouvidos, viajante e...Ahn...e vocês que estão se pegando aí no fundo. Caham! Pois bem...

...Escuridão. Só escuridão ele via. Uma grande pessoa ele foi. Lutou contra demônios, fez incontáveis sacrifícios em prol de um mundo melhor que onde todos pudessem ter paz. Contudo, ele foi traído. Por seguir seu ideal de justiça ele foi traído. Entoxicado pela derrota numa colina morta, abandonado por todos e até mesmo por seu próprio ideal. Ele morreu alí. Durante muito tempo, ele vagou na escuridão, praguejando, lamentando e amaldiçoando tudo que fizera em vida. Aquela foi sua recompensa por ajudar os outros. 

...E um dia, vagando naquela escuridão, ele ouviu o chamado de uma certa elfa. Algo que mudaria seu destino.

Deixe os dois no fundo em paz, querido, estamos contando uma história de amor. Haha... Deixe-me continuar.

Pois bem, o elfo viu nela a chance de uma vida nova. Poderia viver outra vez e conseguir um novo proposito. Mas a elfa não o traria dos mortos tão facilmente, havia um preço para isso. Lealdade e serviço a favor dela até que a morte o buscasse outra vez. O elfo aceitou o fardo e ela lhe deu uma pedra, na qual ele vinculou a própria alma e pode voltar a viver. O acordo foi selado com um beijo, o primeiro de muitos, e sangue. Mas a elfa era muito mais do que ele pensava, elas era completamente insana e cruel, além de ser uma serva de demônios. E aos poucos, esse elfo se provou valoroso, ganhando o título de Campeão...

Já que insiste...tudo bem então, querida. Agora vamos ao que interessa...

Conforme provava seu valor perante ela e toda uma seita de bruxos e demônios, o elfo a conhecia cada vez melhor e, de certa forma, começou a gostar de estar na presença daquela elfa. Contudo, sua mente permanecia relutante, por um lado, ele queria odiá-la, mas por outro, ele gostava muito dela. No fim, não demorou muito para o elfo aceitar que gostava da perfeição imperfeita que aquela elfa sempre demonstrara...

Perfeição imperfeita, meu amor? Ela era louca! Bom, agora ao assunto. 

O elfo se apaixonou por ela, mesmo sabendo que ela poderia amá-lo ou matá-lo por pura diversão. Ah, ela era uma criatura cruel, como ele se apaixonou por aquilo? Ninguém sabe. Mas, quanto mais tempo ele passava com ela, mais ele se apaixonava. As chacinas, as festas sangrentas, as lutas pelos demônios, as noites juntos na mansão sem sequer saber o que ela sentia... Até aquele dia na biblioteca, quando ele encontrou os cristais.

Hahaha. Sim, meu bem. A elfa tinha uma loucura imensa. Quanto aos cristais, essa parte da história é confusa, então escute bem, viajante. É, não dê bola pro casal lá no fundo...eles devem subir em breve.

A certeza do elfo sobre seus sentimentos era plena e absoluta, ele a amava de uma forma inimaginável e isso fez dele ainda mais protetor do que já era. Porém, os sentimentos daquela elfa ainda eram um total mistério. 

No ímpeto de achar suas respostas, ele decidiu explorar o passado dela à partir de pistas que ela poderia ter deixado em seu covil. Ele não era burro, sabia que perguntar diretamente não adiantaria, então fez sua busca e encontrou estranhos cristais espalhados pela biblioteca. Tais cristais revelavam visões de um passado distante, o passado dela...

Ele foi muito indelicado ao sair mexendo nos cristais e olhando o passado dela sem permissão. Ah, olha só, subiram.

Bom, voltando ao assunto. Ele viu o passado insano de sua amada e a crise pela qual ela passava. Qual crise? Ela estava apaixonada por ele, mas acreditava que era mais uma das loucuras dela, pois não tinha capacidade de amar. E aquele demônio chato?! Ele a forçava a acreditar que aquilo era só uma loucura. Bom, o elfo viu isso e foi aí que teve a certeza de que a amava e seria amado. Então...Ela chegou e percebeu que os cristais haviam sido usados...

Não sei, querida. Gosto da atitude que ele teve, haha. E finalmente subiram! Enfim, vamos prosseguir com a história.

Espantado e, ao mesmo tempo, aliviado ao ter visto aquelas visões, o elfo tratou de sair de lá imediatamente, porém, a elfa não demorou a notar que algo não estava certo e, de repente, começou a checar os cristais, notando que já não estavam no mesmo lugar. O elfo tentava disfarçar sua culpa e alívio, carregando algumas caixas, ajeitando a biblioteca, tal como ela havia pedido. Seus pensamentos se alternavam entre a preocupação da elfa descobrir e o alívio de saber que ela o amava. Talvez nem importasse mais a consequência que suas ações poderiam ter depois de que ele conseguiu sua resposta...

Ah, quando ela descobriu sobre os cristais... Pensei que ela cortaria a garganta dele! Ih, ela voltou, o que será que aconteceu? Bom, continuando.

Mas a elfa evitou ao máximo o assunto, apenas falando que estava fora dos lugares, mas ela sabia que foram usados. Então o elfo resolveu jogar as cartas na mesa! Ele contou do que viu e o que sentia por ela. Como ele disse? "Meu sentimento mais puro é seu." Own, isso é tão fofo. Bom, a elfa continuava jogando o assunto de lado. Por que? Ela ainda acreditava que não tinha a capacidade de amar e que era apenas mais um loucura dela acreditar naquilo. Mas ele insistia no assunto, com aquele sorriso amoroso e seus olhos a fitando com todo desejo. Ela acabou cedendo ao chame de seu Campeão e ao amor.

Acho que alguém não deu conta do serviço lá em cima, hahaha. Bom, foco aqui.

A cada encontro, o elfo não hesitava, a abraçava amorosamente, sempre lhe dando conforto e sussurrando belas palavras perto de seus ouvidos. Ele e ela pareciam não se importarem mais com os assuntos daquela seita demoníaca, eles queriam apenas um ao outro. É incrível como o um sentimento assim consegue te jogar do avesso.

Por fim, o casal decidiu por fim àquela vida e seguir seu rumo juntos. Eles realmente o fizeram. Mesmo louca, a elfa tinha um intelecto imenso, além de uma grande sagacidade, ela conseguiu enganar ambos os lados que a caçavam, os demônios e os mocinhos para, por fim, conseguir escapar ilesa com seu amado...

Que droga, hein? Eu mandaria você para mostrar como se faz o serviço, mas não vou dividir... Ah, a história?

Bom, depois de passar a perna em todos, o casal apaixonado fugiu para a mansão da elfa e por lá ficaram por muuuuito tempo. Fazendo o que sempre faziam, mas sem a intervenção de demônios agora. A decoração macabra de sangue, ossos, ganchos e cadáveres aumentava a cada vez que resolviam se divertir. Festas, caçadas, pessoas perdidas e até as "lutas" que o elfo provocava nos aposentos. Ambos jogavam sujo, ah como era engraçado... Mas, a mesma coisa sempre um hora cansa, não?

Hahahaha! Sabe que só tenho olhos pra você, meu bem. Pois bem...

De fato, o exílio já estava começando a incomodar a elfa. Suas vítimas já eram escassas e a mansão, repleta de cadáveres e ossos, estava praticamente sem espaço de sobra. As coisas já não a divertiam como antes e isso lhe causava um tédio gigantesco. O elfo, por outro lado, não se incomodava com o exílio, talvez porque passara muito tempo vagando sozinho na escuridão, mas também era por estar alí com sua amada. Contanto que ele estivesse com ela, pouco importava o exílio...

Eu sei disso, meu amor. Continuando..

Bom, logo a elfa teve a brilhante ideia de saírem daquela maldita casa e viverem andando por aí juntos. Logo subiram as escadas e começaram a fazer as malas, com as roupas que encontravam caídas por aí. Mas algo a incomodava, ela teria a eternidade para essa vida de viagens, mas ele não. O tempo passaria para ele e logo ele morreria outra vez...E  a elfa voltaria para a solidão de sua mansão e isso a causava medo... Mas, enquanto faziam as malas, ele teve a ideia... Ele queria ser como ela...

Essa parte é interessante...viajante, preste total atenção.

A elfa nunca teve que se preocupar com a morte. Como foi dito no início, ela não era uma elfa comum, mas sim uma San'layn. As garras da morte nunca poderiam tocá-la novamente. O elfo, por outro lado, era um ser puro e livre de corrupção. Mesmo depois de trabalhar em meio a bruxos e demônios, nenhuma forma de corrupção pôde tocar seu corpo. No entanto, ele tinha medo. Sabia que o relógio estava correndo e o tempo não iria esperá-lo. Ele podia sentir a morte o espreitando, era como se ela zombasse dele e apenas aguardasse o momento certo de enviá-lo volta à escuridão profunda. Ele não queria isso, ele queria passar a eternidade ao lado de sua amada mesmo que isso significasse a perda de sua pureza. Já não restavam mais dúvidas em sua mente, a morte não o tocaria novamente, ele não voltaria para a escuridão. Então, sua boca se abriu em meio àquele abraço apertado da elfa e um pedido foi feito...

Aah, foi tão romântico...

Bom, continuando. Ele pediu que a elfa fizesse dele um San'layn, é claro que ela não queria. Ela sabia que ele não seria eterno, ao contrário dela, mas ela não queria que ele fosse corrompido pela maldição do sangue. Por mais que ele insistisse, ela se recusava. Ele era seu amado e ela não poderia condená-lo a um destino tão cruel. Mas aquele olhar amoroso, aquelas palavras... Fizeram ela mudar de ideia. De quê adiantaria ela viver para sempre se teria que ver seu amado morrer? Ela não queria profaná-lo, nem condená-lo aquela maldição... Mas, acima de tudo, ela não queria perdê-lo. Toda sua frieza se quebrou quando ela cortou, com as garras, perto do próprio pescoço e deixou que ele tomasse seu sangue e se entregasse a maldição...

Talvez a cena mais romântica e cruel que historiadores poderiam presenciar, meu doce. 

O elfo assentiu com a cabeça e sorriu, ele se aproximou lentamente da elfa e a abraçou com carinho, então sussurrou: 'Está tudo bem, meu Amor. Eu jamais irei desaparecer. Sempre estarei com você.' Ao dizer essas palavras, ele aproximou os lábios ao pescoço da elfa e começou a chupar o sangue negro que escorria da ferida. Algo fazia ele querer continuar e sugar aquilo até não restar uma única gota, mas ele resistiu e cambaleou para trás, trêmulo e começando a sentir dor...muita dor...

Ninguém iria acreditar se visse aquilo.

Bom, a elfa se arrependia daquilo como se ainda fosse uma vivente cheia de sentimentos e bondade. Depois de muitos anos, ela chorou. Suas lágrimas eram sangue, assim como o que o elfo provou. Ele sorri para ela, com todo seu amor, mas ela sentia dor por ter feito aquilo. Ele cambaleou para trás e esbarrou na mesa, quase caindo. Ela cobriu a ferida com o cabelo e se afastou, ouvindo o elfo cair. Ela escorou na parede e cobriu as orelhas com as mãos, tentando abafar o som, deslizando até o chão...

A história mostra um preço interessante, apesar de tudo.

Em meio aos urros de dor, o elfo só conseguia pensar em como tudo isso valeria a pena. Ele sabia que, depois que a dor passasse, não restaria nada que o impedisse de ficar ao lado de sua amada. Talvez a dor que sentisse naquele momento fosse a indignação da própria Morte. A dor era alucinante, mas os pensamentos do elfo o confortavam, ele tinha a imagem de sua amada em sua mente e, mesmo gritando, ele não deixava de sorrir. Em meio aos urros, apenas um sussurro pode ser ouvido: 'Eu não desaparecerei, meu Amor...eu sempre estarei aqui.' Por fim, o elfo perde a consciência e desmaia com um sorriso no rosto...

Tão romântico... Ah, olha, eles voltaram a ficar juntos... Que fofo. Voltando a história.

Depois disso? É claro que teve algo. Os poucos minutos parecia uma eternidade e a elfa sentia o tempo pesar em seus ombros. Mesmo depois que ele parou de urrar, ela continuou senta no chão, cobrindo as orelhas como se ele fosse tornar a gritar. Quando o silêncio se tornou mortal, ela pensou o pior. Hesitante ela voltou ao local e o encontrou caído no chão. Ela sentou-se ao lado dele e colocou a cabeça dele em seu colo e ficou lá, esperando que ele abrisse seus olhos e não fossem mais verdes e sim vermelhos...

Deve ter sido só uma briguinha de casal, haha. Enfim, continuando...

Por quanto tempo o elfo dormiu? Dias? Meses? A noção do tempo havia sido perdida, porém, ao longe, ele ouviu o badalar de um sino, um sino que ele conhecia. Era o sino da mansão, sinalizando a meia noite, ele abriu os olhos lentamente, estavam rubros, mas ele não sentia a diferença. Ele olhou em volta, sem mover a cabeça, recobrando a consciência, seu sorriso se tornou mais evidente quando olhou para o rosto da elfa. Ele sorriu de forma amorosa, a olhando com aquele mesmo olhar profundo de sempre. 'Se eu te disser que agora vejo o paraíso, você acreditaria?' Ele riu um pouco ao dizer isso...

A elfa sorriu e continuou ali, apenas fitando seu amado por muito tempo. Tudo que ambos queriam era que aquele momento durasse para sempre. Ela inclinou-se para frente e o beijou, como nunca antes. As horas se passaram e eles continuaram ali, perdendo-se em beijos e carícias até amanhecer..

Ah, olha meu amor... Ele foi embora... Que pena, agora que teria a parte picante... Sabe, Emiro... Você ficou lindo com olhos vermelhos. Hahaha... Eu te amo, meu Campeão...

... Eu também te amo, Lya."

<"No dia seguinte, ninguém além de você se lembrava do casal que contou a história.">

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