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Após a morte de sua irmã, tudo que Mysha queria era paz.Todos que estavam com a pequenina Burble acreditavam que ela estava morta, mas ninguém imaginava que ela havia sobrevivido à explosão do General Sombrio e que estava agora em uma estalagem, tocando seu bandolim enquanto cantava histórias sobre guerras e heróis. Mysha adorava essa vida: Viajar e vivenciar aventuras, depois voltar para "casa" e cantar para os futuros aventureiros de Azeroth.

A estalagem, como sempre, estava cheia. Sempre que Mysha era vista em uma cidade ou vila, seus habitantes já sabiam o que fazer: Correr para a maior estalagem e ouvir as grandes histórias que Mysha cantava à luz das velas durante a noite, enquanto o som mágico de seus instrumentos os deixavam pedindo mais. Todos estavam sentados no chão, mesas e cadeiras ao redor de Mysha, ouvindo uma canção nova, que falava sobre um grupo que se uniu e viajou para o desconhecido, armados apenas pela esperança de se livrarem das sombras que tentavam matá-los. Ela a chamou de "Sombras Mortais", uma história que, apenas quem estava lá a conhecia perfeitamente.

Entre todos os rostos, estava um familiar: Feições sérias, porém belas. Olhos verdes como a grama, cabelos negros como a noite e pele clara como a neve. Seu nome era Henry Collens, filho de um herói de guerra. Um homem que um dia passou pela vida de Mysha levando-a em uma de suas aventuras. A barda fez uma canção especial para ele e sempre cantava em todas as estalagens que passava, pois sabia que o filho dele sempre estaria lá.

Mysha tocou a última nota musical e parou de cantar, fitando a multidão que a olhava atentamente. "E essas são as aventuras do dia, meus caros." Mysha curvou-se em agradecimento enquanto as pessoas aplaudiam e pediam por mais. A barda esquivou das pessoas e subiu para seu aposento, onde jogou-se na cama, que estava repleta de instrumentos exceto sua amada flauta de prata. "Preciso de uma flauta nova" pensou a humana enquanto olhava para seus instrumentos. Mysha ficou deitada por muito tempo, apenas olhando o teto do quarto enquanto lembra-se de sua irmã, Katrina Ross. Os bons momentos que passaram juntas antes de sua irmã perder a sanidade para as vozes que ouvia e a "mulher" que a visitava durante a noite.

Mysha segurou as lágrimas e virou-se na cama, fitando suas roupas que estavam espalhadas pela cômoda ao lado. A humana ergue-se e trocou de roupa, tirando seu vestido de seda azul e trocando por uma roupa simples de couro preto, estava pronta para guardas suas coisas e preparar-se para mais uma viagem quando ouviu uma leve batida na porta. "Entre, está destrancada." A porta abriu-se e Henry entrou, sorrindo como uma criança ao ganhar um doce. "Mysha! Demorou a tocar outra vez. Onde esteve? E que canção nova era aquela?" A humana riu e jogou o cabelo para trás, mostrando ainda mais seu rosto marcado por pequenas cicatrizes e seus olhos que sempre mudavam de cor. "Mais uma das aventuras que acompanhei enquanto estive fora, Henry."

Henry olhou Mysha de cima a baixo, com um sorriso bobo e um olhar estranho. A humana pigarreou e ele balançou a cabeça, recomeçando a conversa: "Eu queria falar com você... Estou partindo em uma aventura." O silêncio tomou conta do quarto, apenas o som da respiração foi ouvido por um bom tempo, até que Mysha falou: "E qual aventura pretende viver? Caçando lobos?" A humana deu uma risadinha e virou-se, juntando as roupas em um montinho não muito organizado e enfiando dentro de uma mochila de couro, que parecia não ter fundo. "Eu vou em uma das que você cantou." Mysha parou de guardas as coisas e fitou a mochila, pensativa. "Todas já aconteceram, não há o que remoer nessas histórias, Henry."

Mysha virou-se e olhou nos olhos do jovem, era possível ver o sonho de aventureiro que deseja ser lembrado. "Nem todas, Mysha. Nem todas." A humana lembrou-se de cada canção que cantava durante as noites, pensando em todas histórias. De fato, existia uma que não foi vivida. Era apenas uma lenda... "Henry, os poucos bardos que existem cantam essa canção. Não há provas de que aconteceu realmente." Henry suspirou e sorriu de modo travesso, como se não fosse desistir tão fácil. "Mysha... Você viveu todas as histórias que canta. Diga-me, do fundo do coração, você acha que é verdadeira?"

A humana suspirou e sentou-se na cama, esfregando uma mão na outra. "Sim, Henry, é verdadeira." Henry correu até Mysha e ajoelhou-se diante dela, segurando as mãos da humana e sorrindo de alegria. "A história é verdadeira, Henry. Existem várias versões, mas a que canto é a verdadeira." Henry sorria como se não acreditasse. "Então realmente existe o maior medo dos marujo... "A Canção da Sereia" realmente existe..." Ao pronunciar o nome, um trovão cortou os céus, o som foi ensurdecedor a primeira vez. "Me conte o que sabe, Mysha."

Mysha olhou pela janela, fitando a tempestade que agora castigava a pequena vila. "Existia um homem, um capitão de um navio pirata, ele vivia de saquear, embebedar-se e dormir com mulheres de prazer dos portos pelos quais parava. A lenda diz que ele partiu o coração de uma e ela vingou-se, amaldiçoando o capitão a morrer em seu amado navio. Mas ele conseguiu burlar a morte, em troca, daria cem mil almas em troca da dele. Vários marujo tem medo do mar, pois sabem que ele está lá esperando suas vítimas. Ele afunda os navios e ninguém os vê... Ou talvez sim. A cada cinco anos o céu fica vermelho como sangue e várias carcaças de navios com corpos de marujos mortos tomam conta do mar. E quem consegue ver isso, jura ver um navio negro, com uma tripulação fantasma e um capitão tão cruel que causa calafrios apenas de olhar."

Henry encolhe, tremendo um pouco talvez de frio ou medo, mas tornou a erguer a cabeça e recomeçar as perguntas. "Você o viu, não é?" Mysha ergueu-se e caminhou até a janela, olhando pelo vidro a Barda acreditou ter visto uma sombra, como se alguém as espionasse. De súbito, ela fechou a cortina. "Sim, eu vi. Quando era criança." A lembrança do dia invadiu a mente de Mysha. Ela e Kat brincando na praia quando um clarão vermelho tomou conta da praia, por instantes não puderam ver nada. Quando o clarão passou, a praia e o mar estavam completamente ocupadas por corpos e navios. Ao longe, mas muito visível, estava o navio. Fantasmas e mortos-vivos iam de um lado a outro, enquanto um homem a frente de todos observava as irmãs... "Mas, Mysha... Dizem que quem o vê é levado como membro da tripulação." Mysha riu, a lembrança aos poucos se desfez. "Eu ainda estou aqui. Mas, Henry, por que quer procurar esse navio?"

Henry cerrou os punhos e fitou o chão, parecia conter as lágrimas. "Meu pai morreu no mar, Mysha. Acho que o navio "Canção da Sereia" está ligado a isso de algum modo... Eu quero vingá-lo." Mysha não aguentou e começou a gargalhar. "E como você vai fazer isso, Henry?" Henry levantou e fitou Mysha, com os punhos cerrados. "Eu vou matar o capitão..." Mysha caminhou até a cama e tornou a guardar seus pertences, já não dando mais atenção a conversa, até que Henry falou novamente. "E quero que você vá comigo." A barda deixou cair as roupas que estavam em sua mão e virou-se para ele. "Por que?!" Henry a fitava com aquele olhar bobo, sorrindo timidamente pelo canto dos lábios antes de falar. "Você viveu uma aventura com meu pai. Venha comigo e vamos honrar a memória dele..."

Mysha passou as mãos na cabeça, deslizando os dedos pelo cabelo negro e cacheado. Era uma proposta tentadora, já que a Barda não só cantava as aventuras, elas as vivia também. Mysha virou-se para Henry, ele parecia esperar um sermão ou apenas uma recusa, mas assustou-se ao ver um sorriso nos lábios rubros de Mysha. "Se quer caçar um navio fantasma, precisa navegar... Junte suas coisas, vamos encontrar uma velha amiga minha."

...CONTINUA....

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