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Mysha, por mais que gostasse de aventuras, já estava ficando cansada. Os aventureiros praticamente dependiam dela para suas viagens e lutas. O motivo de procurarem ela é simples: Ela sempre canta histórias de perigos mortais que, se vencidos, podem resultar em poder, riquezas e honra. Sua última aventura acontecera a quase dois meses, quando ela e seu marido, Henry Collens, acompanhados da capitã do Fúria dos Mares, Kyanna, navegaram em direção a Ilha dos Mortos para dar fim ao temido "Canção da Sereia", o navio assombrado que por onde passava deixava um rastro de morte.

Mesmo longe de aventuras por tanto tempo, que para ela parecera uma eternidade, Mysha continuava vivendo como uma barda. Viajando por Azeroth e tocando seus instrumentos encantados em cada taverna que passava, mas agora era acompanhada por Henry, que era uma espécie de "aprendiz de bardo". Mesmo ensinando-o a tocar, ele se recusava a encantar seus itens. "Prefiro que a magia da música fique com você, My." dizia ele, todas as vezes que ela se oferecia para ensinar o encantamento. Estavam em Vila Plácida, pela primeira vez desde que Mysha enviou um grupo de aventureiros até a Floresta dos Espinhos, onde mataram sua insana irmã, Katrina Ross. Mysha sentia um aperto no peito ao cantar a musica que dedicara aos aventureiros que cumpriram a missão, pois, por mais que Katrina tentasse matar todos e destruir o mundo, em um dia no passado ela fora uma pessoa boa e, acima de tudo, a irmã de Mysha.

Agora, quase um ano depois daquela aventura, ela se peguntava se poderia ter salvado a irmã da insanidade e do destino cruel que ela levou. Ela balançou a cabeça e suspirou, tentando afastar aquela lembrança e olhou na direção do grupo e viu uma pessoa a encarando. Era um humano, usando farda negra, com o rosto coberto por um capuz. Mesmo com a capa rodeando seu corpo, ela conseguiu ver o tabardo e parou de tocar, assustada. "My?" Ela ouviu a voz de Henry a chamar, olhando-a com certa preocupação, quando ela parou de tocar. Mysha dedilhou mais um pouco a harpa e encerrou a canção. Antes que alguém a pedisse mais, ela se afastou do grupo. Henry a seguiu, chamando-a sem parar. Quando entraram no quarto, ela trancou a porta e tentou empurrar o armário para travar ainda mais a porta. "MYSHA! Pare com isso! O que está acontecendo?" Mysha soltou um gritinho e pulou, assustada ao ouvir Henry gritar. Ela colocou a mão no peito, respirando pesadamente. "Encrenca, Henry. Faça as malas, quero sair daqui o mais rápido possível." Ela correu na direção da cômoda e arrancou as gavetas dela, jogando-as em cima da cama e tirando os pertences que estavam lá. Henry agarrou o pulso dela e a virou, forçando-a a olhar para ele. "Eu não vou mover um dedo até você me f-..." Antes que pudesse terminar de falar, a porta foi aberta. O ármario havia voltado para o lugar sozinha e a porta destrancada. O homem, que Mysha encarara mais cedo, entrou e baixou o capuz. O lado esquerdo de seu rosto era completamente queimado e o direito marcado por runas. "Ross." Ele acenou com a cabeça para Mysha e fechou a porta.

"Provavelmente já entendeu o motivo de minha aparição." Disse ele, caminhando até a mesa no canto do quarto e sentando-se em uma das cadeiras. "Ei. Ei. Ei! Como assim voc-.." Vociferou Henry, mas seus lábios se fecharam e ele apenas resmungou, olhando para Mysha, sem conseguir falar. "Sim, Samael, eu sei. Mas... Tão cedo?" Ela sentou-se na cama, enroscando um pano na mão, o que sempre faz quando está nervosa. Henry gesticulava com as mãos na direção de sua boca, com uma expressão de raiva, mas seus lábios continuaram selados. "A Canção da Guerra foi cantada, não há nada que eu possa fazer. Sendo uma de nós, você tem um voto. Junte suas coisas, vou abrir um portal e enviá-la até um lugar, onde quero que recrute uma de nossas aliadas. Ah, perdão senhor Collens." Ele estalou os dedos, um tanto relutante e os lábios de Henry desgrudaram. "Ninguém vai sair daqui até me explicar o que está acontecendo!"

O homem, Samael como Mysha o chamara, revirou o olho bom, como se a pergunta fosse de um imbecil. "A senhorita Ross é membro de uma irmandade que, foi dada como acabada a anos, mas viveu escondida nas sombras. Nosso propósito? Destruir as sombras que corrompem esse mundo. Infelizmente, perdemos muitos membros para esse inimigo, dentre eles Katrina. A canção da guerra? Há um lugar, escondido por magia, onde os mestres ficam. Quando são avisados em sonhos, pelos ancestrais e pela Luz, que o inimigo se move, eles cantam a canção, convocando nossa Irmandade para a guerra. Senhorita Ross, fique quetinha aí." Enquanto Samael falava, Mysha tentou sair pela janela discretamente, quando ele falou ela congelou, sentada na janela com metade do corpo fora e a outra metade dentro. "Tanysa, a Sacerdotisa da Lua, está em Darnassus, preciso que a encontre. Vocês duas irão para o norte investigar um ataque de demônios das sombras...Ah, pode levar o seu... Amigo.." Ele olhou Henry dos pés a cabeça. Henry corou um pouco, ele sabia que era jovem, na verdade era quase 13 anos mais novo que sua esposa, então era normal as pessoas acreditarem que eram apenas mãe e filho ou amigos.

Após alguns instantes, Mysha e Henry estavam com as mochilas de viagens prontas e o portal aberto. Quando atravessaram, tudo que viram do local de partida foi o quarto vazio, como se Samael tivesse desaparecido no ar. Henry, após alguns segundos, caiu no chão de um quarto simples. Ele levantou-se rapidamente e viu Mysha caminhar na direção de uma cadeira. Lá estava sentada uma elfa noturna, trajando vestes simples e brancas, com um rosário pendurado na mão esquerda. Mas, ao invés de uma cruz, como dos sacerdotes humanos, era uma lua crescente. A elfa era bastante branca, inclusive seus cabelos curtos, que possuía apenas uma franja cobrindo um pouco o rosto. "Tanysa... Precisamos conversar."

A kal'dorei sorriu e concordou, Mysha sentou-se ao lado dela e conversaram por horas, trocando estratégias e colocando assuntos sobre a tal "Irmandade" em dia. Henry se sentia deslocado, então caminhava de um lado para o outro, olhando os pequenos e simples detalhes do quarto. O que chamou sua atenção em meio a tudo, foi um espelho na parede, que ia do chão ao teto, mas estava coberto por um pano preto e grosso. "Tanysa? Por que esse espelho...?" Ele apontou por cima do ombro para o espelho coberto, mas não terminou de falar. A sacerdotisa sorriu gentilmente e respondeu: "É um espelho mágico, ele mostra quem você realmente é, por trás de ilusões, mentiras e outras coisas. Nem pense nisso mocinho.." Henry começara a mover um pouco o tecido, para olhar o espelho. "Ele não só mostra por trás de ilusões, ele também mostra quem você é em seu coração. Muitas pessoas perderam a sanidade por causa dele. Não quero que isso aconteça com vocês. Ah, como está tarde... Por que não descansam? O quarto de você é o último a esquerda no corredor."

Quando Henry e Mysha se afastaram na direção do quarto, Tanysa fechou a porta do seu e a trancou. Ela caminhou até o espelho e arrancou o pano. Ela viu a si mesma no reflexo, mas quem ela realmente era. Uma sacerdotisa, trajando vestes negras, até a cor de seu cabelo mudara, agora era um tom extremamente escuro. Ela emanava uma aura de sombras e suas mãos eram marcadas por runas da morte. Seu reflexo a fitava sorrindo cruelmente, com um olhar demoníaco que causava calafrios.

-Continua-

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